terça-feira, 12 de abril de 2011

Vocacional

A pastoral Vocacional apresenta, baseado nas orientações da CNBB e da Congregação para o Clero, algumas orientações para aqueles que pretendem ingressar em nosso seminário

Deus chama, a Igreja deve discernir.

O sacerdócio é um dom livre que vem de Deus, portanto, ninguém pode determinar a quem Ele deve chamar e a quem não. A princípio, as portas do seminário estão abertas a todos os que se sentem chamados. Não há discriminação ou seleção infundada, nem pré-julgamento.

Mas o sacerdócio é um ministério eclesial e, como tal, é algo que a Igreja deve “ligar ou desligar” (Mt 18, 18). Não necessariamente todos os que batem à porta do seminário têm uma verdadeira vocação. Por isso é imprescindível um trabalho de discernimento.

No fundo, todo o período de formação, especialmente no início, é um período de discernimento, tanto dos responsáveis pela formação, como do próprio candidato, é importante que seja bem analisada a possibilidade de que exista vocação no momento de admitir um jovem em um centro formativo. É importante, antes de tudo, para o próprio candidato. O respeito que qualquer jovem merece, exige que ele seja convidado ou admitido ao seminário somente se houver indícios claros de que esse é o caminho de sua vida. Seria injusto admiti-lo sem critérios para logo ter de dizer-lhe que esse não é seu lugar, com os traumas, decepção, atrasos em sua carreira, etc., que esta experiência poderia acarretar.
E isso é Importante também para os demais candidatos.

Um seminarista que se sente desorientado, que não se identifica com a vocação sacerdotal, pode ser um elemento negativo no seminário. Se forem numerosos os candidatos inseguros, reticentes ou sem as devidas qualidades, será difícil conseguir o ambiente formativo. Daí, portanto exige-se um Discernimento sério e atento.

É preciso encontrar jovens com verdadeira vocação, não jovens que comecem, sem ela, um caminho que não deveriam iniciar. Não se trata simplesmente de preencher vagas em uma instituição humana, mas de acolher aqueles que são chamados pelo Senhor. A pergunta de fundo, portanto, será sempre: este jovem terá sido verdadeiramente escolhido por Deus?

Portanto, a primeira coisa é conhecer bem a índole do jovem que pede para entrar ao seminário. Isso significa que a pessoa encarregada pela admissão deve fazer um trabalho personalizado. Muito ajuda também o conhecimento de sua família e de seu ambiente social, às vezes, podem ser muito reveladores. Conhecer o candidato é conhecer também sua história: a educação recebida, trajetória espiritual e humana

Tudo isso indica que a admissão de um aspirante não pode ser precipitada, exige-se um tempo suficiente para conhecê-lo e, inclusive, para que ele mesmo se conheça melhor em relação ao passo que pensa dar. Às vezes, esse tempo se prolonga ao longo de todo o período do propedêutico; outras vezes consiste em um processo de amadurecimento da idéia vocacional com a direção de algum sacerdote conhecido, idôneo e apto para esse acompanhamento

A idoneidade para o sacerdócio compreende diversos aspectos da pessoa. Antes de tudo, se requer uma saúde física e mental suficiente para poder acompanhar as exigências da vida de formação no seminário e colaborar depois, como operário destemido, na vinha do Senhor. Poderia haver algumas exceções em alguns casos determinados, mas deveriam ser realmente exceções, e serem motivadas por razões importantes.

Mais difícil de avaliar, mas não menos decisiva, é a idoneidade psicológica. Não é o momento de nos deter para comentar os diversos aspectos implicados neste campo, sobre esse item falaremos numa outra edição. mas basta recordar que é preciso contar com uma psicologia sã para que se possa pensar na existência da vocação. O sacerdote é chamado a orientar e guiar às outras pessoas. Poderia ser aplicada aqui, estendendo um pouco o sentido, a pergunta de Paulo em sua primeira carta a Timóteo: «Pois quem não sabe governar a sua própria casa, como terá cuidado da Igreja de Deus?» (1Tm 3, 5).

Em casos mais delicados, o responsável pela admissão ao seminário não sempre poderá discernir, de um momento para outro, se existe ou não idoneidade. Prudência, sensatez, experiência e talvez um pouco de tempo darão a melhor resposta.

Seria absurdo pretender que quem ingressar ao seminário possua as virtudes e qualidades do sacerdote ideal. Se fosse assim, já não seria útil o período do seminário. No entanto, é fundamental que o candidato possua uma base humana e cristã suficientes para que seja possível construir, sobre este alicerce, o edifício da formação sacerdotal. O principal, portanto, não é que o candidato já possua as virtudes do bom sacerdote, mas que tenha a capacidade de adquiri-las. Por outro lado, existe uma série de virtudes e qualidades que são necessárias para que o jovem candidato possa segui-las com proveito até chegar à ordenação.

É conveniente também que exista um fundamento sobre o qual construir a identidade espiritual do candidato. Ele precisa de, pelo menos, um mínimo de conhecimento e vivência da fé, além da capacidade de viver com coerência a vida da graça: o sacerdote é o homem de Deus, o ministro que aproxima os homens da vida divina e a restitui com o perdão quando eles a perdem. Se um jovem se apresentar com costumes de pecado tão arraigados que parecerem realmente insuperáveis, se terá de pensar seriamente antes de deixá-lo prosseguir. Não se deve desconfiar da potência divina, mas também não devemos tentar a Deus.

Como o assunto não se esgota aqui, continuaremos a nossa reflexão nas próximas edições.

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