terça-feira, 19 de abril de 2011

Congresso Vocacional Latino Americano de Vocações

Dos dia 31 de Janeiro a 06 de Fevereiro de 2011 aconteceu em Cartago na Costa Rica o segundo Congresso Vocacional Latino Americano de Vocações. Do Brasil foi uma Representação de 44 pessoas, entre elas o Pe. Juarês Martins da Nossa Diocese de Campo Limpo.

No todo eram aproximadamente 500 participantes vindos de diversos países.

Foi um tempo de Graça.

Fomos muito bem acolhidos. Todos os Brasileiros ficaram hospedados nas casas das famílias da mesma Paróquia.

Veja a seguir alguns textos das palestras que lá foram proferidas:

A primeira Apresentada por D. Sergio da Rocha, Arcebispo de Teresina (Brasil) e Presidente do DEVYM-CELAM 

E a segunda apresentada por Amedeo Cencine


TEOLOGIA DAS VOCAÇÕES
= II Congresso Continental Latino Americano de Vocações =

INTRODUÇÃO
Importância da visão teológica por suas conseqüências para a compreensão e vivência das vocações, assim como, para o serviço de animação vocacional. Trata-se do fundamento, do alicerce, capaz de motivar e sustentar a vivência vocacional, o trabalho vocacional, a “cultura vocacional” que se quer construir.
Não se pretende, aqui, desenvolver uma abordagem teológica sistemática completa; apenas oferecer alguns pontos para uma reflexão teológica, destacando-se: a referência a Deus (vertentes trinitária, cristológica, pneumatológica), a Igreja (vertente eclesiológica, enfatizando-se o Batismo) e a Missão (vertente pastoral). A espiritualidade perpassa as três vertentes. Não se considera o específico de cada vocação, mas se propõe uma teologia que sirva de base para o edifício vocacional em construção na Igreja, especialmente, na América Latina.

1.      VOCAÇÃO COMO DOM: A PERSPECTIVA DA GRAÇA OU A LÓGICA DO DOM

- Contexto sócio-cultural: marcado pela eficiência, pelo fazer com as próprias forças, por mérito ou competência pessoal. O sistema de mercado favorece a mercantilização das relações humanas, dificultando a vivência da gratuidade. O “interesse próprio” move o sistema de mercado. Há o risco de se reduzir vocação, a vida e o ministério, ao “fazer”, a executar tarefas, desempenhar funções (= funcionário eficiente), movido por interesse próprio ou capacidade pessoal.
- Contexto eclesial: tendência em ressaltar problemas relativos às vocações (situações de seminaristas, padres, leigos); impacto das denúncias de problemas acerca do sacerdócio. Há o risco de se ver as vocações e os ministérios como peso, de serem reduzidas a problema.
- Desafio, tarefa, de se fazer a experiência do dom: vocação entendida e acolhida como graça, sustentada pela graça, nos níveis pessoal e comunitário.
- É preciso recordar-se que a iniciativa é de Deus: gratuidade do amor de Deus no chamado é testemunhada reiteradamente nos relatos bíblicos, resumidas no “vem e segue-me”. Resposta animada pela fé e confiança no amor de Deus.
- A imagem de Deus condiciona o modo como se entende e se vive a vocação; a visão teológica tem conseqüências para a espiritualidade. Bento XVI recorda em sua primeira encíclica que “Deus caritas est” e que a Igreja deve ser “comunidade de amor”.
- No campo vocacional, é preciso afirmar um novo paradigma, na verdade, antigo, pois está desde o principio: a lógica da gratuidade, a perspectiva da graça, cuja fonte é o amor de Deus (cf 1 Jo 4, 7-21). Necessidade de motivar a experiência do amor de Deus. Sem isso, não há espaço para a vocação, não há terreno onde brotar as vocações. Entretanto, há risco de se conceber a experiência do amor de Deus, de um único modo, num modelo subjetivista e emocional. O Documento de Aparecida apresenta uma diversidade de lugares de encontro com Cristo.
- Tal afirmação teológica tem importantes conseqüências no campo da espiritualidade e da pastoral. O reconhecimento da vocação como “dom” e a sua vivência na perspectiva da gratuidade levam: a) à busca constante da graça; b) a suplicar operários para a messe pela oração, conforme a palavra de Jesus (Lc 10,2); c) a valorizar cada vocacionado(a) como “dom” de Deus;  não apenas afirmação genérica; d) Acolher o dom e fazer-se dom para os irmãos, especialmente, pelos mais pobres e sofridos. Do rosto amoroso de Deus ao rosto dos irmãos e irmãs.

2.      VOCAÇÃO COMO TAREFA

- A resposta ao chamado se traduz em termos de compromisso fiel; fidelidade generosa e alegre; porém, o compromisso também se insere na mesma perspectiva da graça, como resposta gratuita. Sentir-se amado, de graça, por Deus que é amor, para poder amar de graça.

- Pressupõe a : que se expressa como fidelidade e confiança; compromisso sustentado pela confiança (não temas, estarei contigo; ide, estarei convosco). Somente assim, pode-se dizer: eis me aqui, enviai-me, faça-se em mim.

- Na América Latina, assim como, na história da Igreja, a teologia da vocação não tem sido escrita somente pela pena dos teólogos, mas com o sangue dos mártires; homens e mulheres que levaram a sério a sua vocação até a doação da própria vida, através do testemunho cotidiano de fidelidade, da doação da vida no dia a dia e da doação definitiva e total no martírio. Importante manter viva a memória dos mártires das diversas vocações.
- Risco de uma vida cristã light e de sua influência nas diversas vocações e ministérios.  Responsabilidade e generosidade na resposta.
- O testemunho gera vocações (cf. mensagem de Bento XVI para o Dia Mundial Oração pelas Vocações de 2010).
- Importante: a resposta, enquanto tarefa, compromisso, não se reduz ao fazer, inclui em primeiro lugar a espiritualidade, insere-se na perspectiva da graça.

3.      O BATISMO - FONTE DAS VOCAÇÕES
- Para uma correta teologia das vocações, é fundamental a valorização do batismo: nele se dá o chamado e a resposta, a experiência da graça e do compromisso cristão, nele se entrelaçam a ação divina e humana. Necessidade de uma justa teologia dos sacramentos para superar as posturas radicais reduzindo-os ou a ação da graça ou ao compromisso humano. Sem a vivência do Batismo não se pode considerar a vocação.
- Consequências: a) vocações compreendidas como diferentes modos de ser cristão, de seguir a Cristo, tendo em comum o discipulado, o seguimento de Cristo, em vista da Missão (cf. vocações específicas dos discípulos missionários no DA 184-224); bispos, presbíteros, diáconos, religiosos, leigos, reconhecidos, em primeiro lugar, como cristãos, como discípulos permanentes;  b) igualdade fundamental - comum dignidade- no Povo de Deus, antes da diferenciação ministerial (cf LG). Trata-se do mesmo Espírito, da mesma fé, da mesma Igreja. Diversidade de dons que procedem do Espírito; c) co-responsabilidade na vida eclesial e no mundo, incluindo-se o campo da animação vocacional.
- Outros dois importantes aspectos podem ser destacados: a) vocação à santidade, enfatizada pela LG, como vocação comum, ao apresentar as diferentes vocações e ministérios; b) vocação à Vida, pressuposta em Aparecida, desde o seu significativo título (“para que Nele nossos povos tenham vida”) e conforme o sugestivo tema do II Congresso Vocacional. É preciso ter presente também na pastoral vocacional as situações em que a vida é ferida, violada, destruída, na América Latina e Caribe. Na visão teológica: explicitar o Deus da Vida, criador e sustentador da vida, salvador, vivificador, ao contrário dos ídolos que se alimentam do sangue e da vida.

4.      O PAPEL DA COMUNIDADE - DIMENSÃO ECLESIOLÓGICA DA VOCAÇÃO – A VERTENTE ECLESIOLÓGICA DA TEOLOGIA DA VOCAÇÃO

- Perspectiva eclesiológica: a comunidade como chão donde brotam as vocações. A vivência da vocação, a experiência do dom, graça, pela mediação eclesial, por meio da comunidade. Discípulos missionários em comunhão, fazendo a experiência da vida comunitária. “Vem e segue-me” (Mt 4,19) se expressa e se completa através do “Vinde e Vede” (Jo 1,39).
- O papel da família como igreja doméstica, primeiro espaço da vivência vocacional.
- A mediação da Igreja no chamado e no discernimento vocacional.
- Consequências: a) indispensável a experiência de vida comunitária pelos vocacionados; b) a responsabilidade no trabalho vocacional; conforme Pastores dabo vobis  (PDV 41): “todos os membros da Igreja, sem exceção, tem a graça e a responsabilidade do cuidado pelas vocações”; c) a organização da pastoral vocacional nas paróquias.

5.      TEOLOGIA DA MISSÃO – VERTENTE PASTORAL-MISSIONÁRIA DA TEOLOGIA DA VOCAÇÃO.

- Deus chama e envia = discípulos missionários. Vocação não para si, mas como dom e serviço para os outros. Discipulado e missão unidos inseparavelmente. Servidores numa Igreja servidora, ministerial.
- “Ide” no contexto do serviço de animação vocacional. O animador vocacional e os que se dedicam ao cultivo das vocações, formação, etc, como missionários; modo de responder ao mandato missionário.
- É preciso considerar atentamente a “conversão pastoral” (DA 365-372) no âmbito da pastoral vocacional (DA 551). Superar riscos de comodismo, acomodação a rotina, mera conservação (metodologia), “avançar para águas mais profundas”, lançar as redes considerando as novas situações. Isso não decorre apenas dos desafios ou necessidades pastorais; é consequência do chamado, elemento integrante da vocação. Ao contrário, missionário será um técnico e não um vocacionado para o discipulado e a missão.
- “Ide” pressupõe também a atitude de e confiança que estava na origem da resposta. “Estarei contigo... “Eis que estou convosco todos os dias até o fim” (Mt 28,19-20).

Cartago, Costa Rica, 04-02-2011.

Apresentado por D. Sergio da Rocha, Arcebispo de Teresina (Brasil) e Presidente do DEVYM-CELAM  - sdarocha@terra.com.br

Cultura Vocacional

1-   Una cultura tiene tres elementos costitutivos, come hemos visto: mentalidad, sensibilidad, metodologia pratica. Qual es, segun tu experiencia, el elemento mas carente en la cultura vocazionale, a nivel de teologia, espiritualidad, pedagogia vocacional?

2-     En el nuestro estilo educativo son mas frecuentes las propuestas (“si te parece…”, “si quieres…”, ecc.) que los llamados. Que significa esto? O que idea de libertad tenemos? Poderia, este estilo, debilitarla provocacciòn vocaccional?

3-     En algunos paises no existe todavia un Centro Nacional Vocacional. Tu crees que sea necesario? Y porque? Que rol tendrìa que tener?

4-     Porque asì tanta difficultad en el trabajar juntos entre distintos sectores de pastoral ? La animaciòn vocacional poderia enriquecer las otra areas de servicio pastoral (Juvenil, familiar ecc.). Porque no hay en la Iglesia este espiritu de collaboracion-condivision ?

5-     No te parece que la idea del Kerigma vocaccional poderia enriquecer la pedagogia vocacional ? Quales elementos tendrian que hacer parte de este kerigma de los tiempos modernos?
6-     El presbitero, como el consagrado/a o el laico creyente, frecuentemente huje de este servicio de la propuesta vocacional. Que significa esto? El llamado que no se convierte en aquel quel lama (o que hace de mediator vocacional) se puede todavia considerar llamado?

7-     El itinerario pedagogico non es facil ni spontaneo, ni tampoco el joven puede ser dejado solo en este proceso. Tambien aqui nos encontramos con una “omission de servicio” por parte de muchos che deberian ser “hermanos mayores”. Sobre todo por lo que concierne la fase educativa, la del conoscimento de si. Que significa esta omission por uno que deberia ser educador?

8-     Se deberia sembrar la semilla vocacional en todos y siempre, en distintos lugares, y no solo en el “templo” o al alrederor de nuestros espacios. Es lo que racemo? Y porque sembramos siempre y solo en los mismos contextos?

9-     El autentico animador vocacional non deberia ser tipo que produce angustia vocacional, sino creyente que cree en el evangelio de la vocaccion. Todos lo deberian creer. De ehlo hay mucha angustia vocacional en la iglesia. Es falta de esperanza o de cultura vocacional o formaccion de los animadores vocacionales?

10- Cultura vocacional, teopatia, formacion permanente y animacion vocacional, formaccion de los animadores vocacionales, revoluccion vocacional, kerigma vocacional…, que te parece como mas importante y decisivo hoy en etse momento del avida de la iglesia de America latina y Caribe?

Veja algumas fotos deste encontro:


 Pe. Juarês e Pe. Marcos de Ilheus na despedida da Damilia que os acolheu.

  Pe. Juarês e Pe. Marcos de Ilheus na despedida da Damilia que os acolheu.

 Pe. Amedeo Cencine um dos Conferencistas.

Pe. Catalan em sua paróquia onde fomos acolhidos.


Padres Brasileiros durante a missa.
 
Mesa Brasileira no auditório do Congresso.
 
 Chegada da Delegação Brasileira em Costa Rica.
 
 Vista de Costa Rica.
 
 Nossa Senhora dos Anjos.
 
  Exposição de Material Vocacional do Brasil. 
 
  Padres Brasileiros ensaiando os cantos para a missa em portugues.
 
 Pe. Juarês de Campo Limpo e Pe. Mario de Ji-Paraná

Padres Brasileiros durante a caminhada vocacional pelas Ruas de Cartago.
 
  Pe. Justino de Barretos e Ir. Manuela do Regional Sul I.

Viagem de volta Aeorpoto de Costa Rica.

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